O desenho envolve várias etapas, começa nos cadernos, depois alguns mais elaborados, e então finalmente chego ao ponto em que me sinto autorizada o suficiente para trabalhar em escalas maiores. Os desenhos acontecem tanto no ateliê quanto os de observações ao ar livre em contato direto com a natureza. O meio tem sido frequentemente meu método de trabalho, observando atentamente os problemas antes mesmo de tentar uma pintura que lida com as mesmas questões. A relação ocorre em ambas as direções: os desenhos podem informar as pinturas, e as pinturas também podem afetar os desenhos. Trata-se de um processo de uma proximidade real,contato direto. Uma pintura é sobre o refinamento da imagem ao contrario do desenho que não é refinado, não é menos que pintar, ao passo que o desenho tem uma fluidez que a pintura não tem. Esse é o ponto de encruzilhada, o trabalho segue o caminho sempre em direção à dar fluidez à pintura.
Embora faça inúmeros rabiscos e estudos, acredito que o desenho finalizado e autônomo é tão importante quanto uma pintura. Não apenas um estudo, um esboço ou algo a caminho de algo maior. Um desenho é uma experiência completa em si mesmo. Essa pesquisa, intitulada “RSI”, que faço referencia aos estudos sobre os nós borromeanos em psicanálise, onde o processo inicial desses estudos surgiram a partir do erro, das repetições, das insistências e negociações com a pintura. Passo então a relacionar com os conceitos psicanalíticos, pelo contato que tive com os estudos e pela experiencia do fazer artístico onde notoriamente o acontecimento se revela . E eis que vem o Real, sem sentindo, inomeável, impossível se impor diante desse fazer. No retorno dessas repetições dos enlaces/ das linhas que ao mesmo tempo seguem cursos autônomos, não cessam, segue intimamente esse processo de fluidez entre o desenho e a pintura num caminho cada vez mais denso onde a relação com o espaço entra numa espécie de jogo. O espaço como infinito, onde acontecem as transformações, assim como a ideia dos nós borromeanos em estudos da psicanalise. Um plano pictórico aberto a imaginação, explorando uma variedade de linhas e gestos, incluindo diagonais e curvas sugerindo buracos com um grande inconsciente à céu aberto em contraste entre luz e escuridão.
Como ponto de partida a inspiração sobre estudos em psicanálise e a busca de formas subjetivas e complexas na tentativa de fusão entre desenho e pintura. Não é uma técnica ou uma ideologia; é uma forma de pura expressão. Como uma espécie de caligrafia, uma marca, uma linguagem diferente e uma fisicalidade particular, onde pensamento e fisicalidade se unificam. Meu compromisso é com o processo em si, e a duvida sob as certezas e um esforço na junção da imagem e do plano. A paleta é sensível, reflete diretamente a minha experiencia de vida e estados emocionais, e as composições variam, traçam tempos alternadamente imediatos e eternos.