Paisagens Refugadas

O processo criativo geralmente é atravessado pelas memórias afetivas, de lugares diversos, das vivências institucionais públicos/ privados e das observações atentas as transformações  da natureza. Entre trabalhos figurativos, abstratos, plano escultóricos e vídeos é possível notar os procedimentos e rastros dos processos do fazer artístico. O pensamento sobre a materialidade do plástico sempre permeou os assuntos do ateliê.   Os impactos  e destinos que o excesso de produção de plásticos promovem ao planeta e aos seres vivos é preocupação constante e permanente para a artista. Ciça pesquisa a sistematização indiscriminada dessa cadeia devastadora  e seus impactos sociais, ambientais e de saúde publica.  

Na  hipótese de desgastes na subjetividade pelos impactos das organizações sociais e de bases que sustentam a atual coletividade sedimentada no paradigma hegemônico capitalista. Proponho através da pintura discutir a materialidade do lixo em relação ao olhar do expectador. Essa experiência sensibiliza o olhar e reflexão sobre as paisagens dos lixos, que perversas e velozes  se escondem a margem dos excluídos e seus gigantescos lixões. Os plásticos se transformam em nano partículas que estão em suspensão pelo ar, como o resíduo do eterno retorno. 

No processo pictórico aparecem as dicotomias, a relação da abstração com a figuração, do que parece lixo e agora é outra coisa; transformado em outro objeto. Os trabalhos cuja matéria é a goma de mascar, intitulados Homo Plástico, que iniciam na acumulação das gomas pela mastigação da própria artista e que ao longo do tempo vem estudando a goma como matéria para seu fazer artístico. O manuseio da forma, a cor e a escolha pelo suporte,   leva o expectador a duvidar sobre a matéria goma, enquanto  a problemática  ecoa sobre esse plástico que está presente em todos nós,  seja pela comida, pela respiração, está em suspensão pelo ar.