Reflexões sobre o fazer artístico das paisagens

Ciça Tucunduva, 2026

Refletindo sobre os processos do fazer artístico da minha própria pintura, que envolvem as escolhas, as duvidas e suas autonomias, bem como ela se apresenta ao observador. À primeira vista, podem parecer familiares, com sua característica típica de paisagem: entre manchas de vegetação densa, um horizonte, troncos e folhas, por vezes um rio ao fundo. Mas, ao olhar mais de perto, nota-se pequenos traços de tinta e camadas aplicadas precariamente nesse suporte.

Quando penso a paisagem, estou observando a tradição da pintura em paisagem na ideia de subverter de certa forma seus princípios fundamentais, nos gestos, nas escalas variadas e a criação de um espaço ambíguo. Não planejo a pintura com desenhos e esboços preparatórios, inicio o processo dialogando com meu emocional, a percepção sobre a natureza e à história da arte. A pintura emerge de observações, fragmentos e memórias de obras de arte que me emocionam e da natureza. Escolho algumas referencias, as mais marcantes obviamente, que entram no meu processo como um ponto de partida, como uma espécie de artificio da preparação para inicio do meu trabalho e segue seu curso até a própria pintura emergir em sua total autonomia.

Convido assim, o expectador a explorar a superfície do suporte, a atentar para os detalhes das marcas pictóricas e sua materialidade. O processo em si é a relevância do trabalho, onde a variação e transformação do fazer e refazer, das negociações e pausas para sustentar a fluidez do trabalho mental com a pintura. Espero que o observador experiencie a pintura em sua total complexidade, como uma paisagem, mas também para perceber os gestos, as camadas e intensidades da pintura.

Tenho agregado a tinta a encaustica fria, que tem me ajudo a criar textura nas camadas, criando um efeito de densidade ao qual me interessa. Bem como a técnica do esgrafito, resulta na remoção de tinta da superfície da tela, permitindo que as cores emerjam nesse processo ambíguo de adição e subtração de matéria pictórica.

A escala das pinturas são intuitivas, as paisagens em escalas menores convidam a uma maior aproximação do observador a perceber os gestos, acumulos e camadas densas no suporte propondo assim, sensações particulares a cada observador.