Figos

Ciça Tucunduva, 2025

A árvore da Figueira é conhecida pela sua ancestralidade e profundos significados religiosos, é uma das plantas mais antigas da humanidade.

Nos acasos da vida nos encontramos e assim ela se tornou a musa maior do meu quintal, entre observações de seus ciclos e possibilidades de desenhos. Pensar a figueira além de fruto, infrutescência, um mundo invertido. Flores para dentro, um segredo escondido. Polinizada por vespas, que dão a vida e a morte. E, nesse processo, elas se sacrificam, morrem lá dentro, dissolvidas por uma enzima, um ato de amor, de doação e de vida, faz a figueira prosperar, há mais de 11.000 anos.

Ela é presença imponente com sua beleza e vida pulsante. É alimento, abrigo e alento pros meus olhos, me ensina a ver camadas do sensível. O processo vital de seu  ciclo se apresenta de forma poética sobre os estágios de vida e de morte, sobre a simplicidade,  o tempo e o silencio.

Os pássaros se deleitam com bicos afilados, recortam a fruta, expondo a parte nuclear revelando as sementes escondidas (ou a flor invertida). Ao observar a figueira me conectado à ela,  começo então meus rabiscos e assim surgem desenhos únicos de uma matéria  efêmera, surgindo assim a figura da vulva. Me pego pensando sobre o feminino e suas vicissitudes, sobre meu processo criativo e como relacionar todas essas energias numa única conjunção onde arte e vida se encontram.

Sem título, Pastel oleoso s/ papel canson, 20,5x14,5 cm, 2025
Sem título, Pastel oleoso s/ papel canson, 20,5x14,5 cm, 2025